Espaço do grupo Poesia Simplesmente para divulgação do seu trabalho, de outros escritores, artistas e de eventos culturais
terça-feira, 22 de julho de 2014
domingo, 20 de julho de 2014
Constructor sui - poema de Laura Esteves
Trago rugas no rosto, não trago rugas na alma.
Esta, conservo intacta, apesar dos desvarios.
Tratada com delicadeza, aconchego e atavios.
E vou lhe dizer o porquê.
Escute com atenção, o a-bê-cê desta mulher madura,
mistura de santa e puta,
mistura de carnaval e clausura:
meus seios mataram a fome de homens e de crianças;
o ventre, meu ninho/minha gruta, já não tão liso,
gerou os filhos que irão me continuar;
os vincos de meu rosto, uma paisagem
com rios que correm formando trilhas,
são os risos, as lágrimas, as gargalhadas que derramei;
o olhar, um tanto opaco, revela tudo o que eu passei.
Mas estejam certos: busquei sempre a felicidade,
esta estranha palavra que demorei tanto a entender.
Sou ainda a menina assombrada com a vida.
Tenho um coração que palpita, salta, transborda
Apaixono-me, desmesuradamente, por tudo que faço ou toco:
bicho, planta, planos, gente.
Sou o sonho, sou o susto, sou mais sábia.
Uma sabiá que pela Via-Láctea faz firulas.
Que não teme o novo nem a aventura.
Uma sabiá que faz ninho no telhado.
Se aquieta e aprende com o passado.
Assim eu sou. Eu sou assim.
Um ser que se transforma até o fim.
Que transgride, se acomoda.
E nesta contradição, de maneira surpreendente,
me construo, sempre, sempre.
Eu sou aquela do espelho:
mais gorda, mais inteligente, mais generosa.
Sou importante para alguns, sou importante para mim.
Instauro o meu domínio. Decido até onde ir.
Transgrido. Sofro. Estou viva.
Todos os dramas humanos são meus.
Toda alegria da vida é minha.
Vida, esta grande viagem, dia a dia, mês a mês,
onde somos aprendizes e PhDês.
Meu peito caiu? Não faz mal.
Sou tudo de bom. Sou inteira.
Mulher/sabiá-laranjeira.
Mulher/mistério. Abissal.
Laura Esteves
DIA DO AMIGO! Minha gratidão em versos.
Delayne Brasil
AMIGO
Amigo é belo afago
Afeto sem ego inflado
Elo raro
RENASCIMENTO
Não há um ser sem nós
Não há um ser não sendo
Sem nós, sou nó
Sou nós sendo
(*Antologia Poesia Simplesmente - 10 anos. Edições Galo Branco, 2008)
Chegou a Domingueira Poética de 20/07/2014: Ubaldo em dose dupla + Gregório Duvivier e o riso
sábado, 19 de julho de 2014
palestra do Poeta Edir Meirelles: "Cláudio Murilo Leal – Um poeta de alma gitana."
"Terça ConVerso", dia 22/07/14, próxima terça: Programação e tema sugerido.
O Grupo Poesia Simplesmente
convida para o próximo
Terça ConVerso no Café
(atenção: agora, o evento é no palco principal, no primeiro andar do Teatro)
Poesia:
"Instantâneos"
Poemas curtos, no início do evento, falados pelo público
(sob comando: Dalmo Saraiva e Jorge Ventura)
Poetas Amigos do Café
Sugestão de tema:
"Uma das coisas mais difíceis não é mudar a sociedade; é mudar a si mesmo"
(Nelson Mandela - frase de uma entrevista de 2000: Sobre a transformação*)
18/07: Dia Internacional de Nelson Mandela.
Ícone da luta pela igualdade racial na África do Sul e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993,
ele teve o seu aniversário transformado em data comemorativa em 2009 pela ONU.
Música:
Fernando Vilela (voz e violão)
e Ilessi (voz)
Fernando Vilela e Ilessi farão uma amostra pocket em vozes e violão, do show de lançamento do CD Quadro de Fernando Vilela.
Para ouvir o CD on line, acesse: https://www.youtube.com/playlist?list=PLBUP7vymeWe7KlkxELXZsk-4ZU1g-URxl
Sorteio de Livros
Data: 22/07/2014
Horário: 18h30 às 20h30
(Angela Maria Carrocino, Delayne Brasil, Laura Esteves e Silvio Ribeiro de Castro)
quinta-feira, 17 de julho de 2014
LÂMINA SUSPENSA NO AR - poema de Laura Esteves
LÂMINA SUSPENSA NO AR
Naquele fim de tarde, eu tive medo.
Algo sério acontecia ao meu país, a meus ideais.
E eu só tinha vinte anos.
Peguei uma escova de dentes, algumas peças de roupa,
beijei minha mãe aflita, escrevi bilhete pro pai:
"Volto logo, não vai durar,
estarei em lugar seguro.
Não se preocupe,
não venha me procurar".
Nunca retornei.
Mas os homens fardados apareceram, num instante:
perguntaram, vasculharam,
rasgaram os meus livros, derrubaram a estante.
Minha mãe envelheceu dez anos,
meu pai também, e num segundo.
Vivo com a sensação de que lhes roubei alguma coisa
e que, por minha causa,
foram embora mais cedo deste mundo.
Madrugada escura, abracei meus pais às escondidas: o reencontro.
Casal e filha prontos para o exílio, a partida.
No peito um estranho sentimento,
como se eu devesse algo àquela casa de subúrbio,
que não assistiu ao meu casamento
e ao primeiro banho de minha menina.
64! Lâmina cruel, corte em minha vida,
desvio em minha sina.
Laura Esteves
( Como água que brota na fonte/ Editora Barcarola )
terça-feira, 15 de julho de 2014
Mistura de tudo
domingo, 13 de julho de 2014
Nesta terça, 15/07/14, o "Terça ConVerso" está de volta! Ver, abaixo, a programação e o tema sugerido. Até lá!
O Grupo Poesia Simplesmente
(Angela Maria Carrocino, Delayne Brasil, Laura Esteves e Silvio Ribeiro de Castro)
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Dicas da Domingueira: Tertúlia Poética na Casa Benet + CONVITE participar de Livro
















